As pessoas são verdadeiras amalgamas de sentimentos, amando, odiando, invejando, se orgulhando. Cada qual em intensidades distintas, que avançam ou recuam de acordo com o momento e da personalidade de cada pessoa.

Tudo isso acontece o tempo todo, entre quatro paredes ou exposto para a sociedade, como nos casos de poliamor. Mas em geral, o que é que motiva as pessoas a assumiram relacionamentos fechados, abertos ou até poliamorosos?

Tudo se resume ao desejo. Há aqueles que não conseguem se fixar em uma pessoa só, mas há também as pessoas que jamais abririam mão da monogamia, pois, segundo muitos, é assim que se constrói uma vida a dois. Mas e se essa vida a dois fosse a três?

Gabriel Vaz, Youtuber e Sócio Fundador do Sensualize Moi, que iniciou seu relacionamento com a sua sócia, passou por uma experiência dessa, que durou cerca de 1 ano. Biel, conhecido como uma pessoa que busca romper rótulos, conta que conheceu o rapaz que ingressou no relacionamento com eles, no Tinder. Disse, ainda, que se viam nos finais de semana, que tudo evoluiu de uma amizade, para uma ficada e posteriormente para o relacionamento.

“Mantivemos uma amizade online por 8 meses, e nesse período apresentei ele e a Tuy. Então nos conhecemos pessoalmente dezembro passado (2016) e começamos uma amizade que logo se tornou uma ficada. Descobrimos nossos sentimentos e logo começamos a namorar.” Conta em relação ao começo do relacionamento entre Zack, Ele e a Tuy.

Apesar de não ter sido questionado, por ter ambos em minha rede social, acompanhei um pouco da história, lendo como acontecia o preconceito, principalmente por parte da família dela. Esse tipo de atitude, principalmente nos convívios familiares destroem o empirismo de um sentimento, fazendo o pensamento de pecado estar mais presente na mente das pessoas.

“Note que, segundo o cristianismo, o casamento é apenas entre duas pessoas, sendo um homem e uma mulher. E o sexo é proposto apenas como reprodução. Logo o sexo que fuja desses parâmetros se torna aberrante e improprio.” Conclui Biel.

Em relação ao que é diferente, Gabriel sempre busca quebrar tabus em seus vídeos, explorando a sexualidade como um tema que precisa ser discutido. “Esse tabu é muito ruim, pois vivemos epidemias de HIV, HPV, Sifilis e Gonorreia. E a faixa etária mais atingida são os adolescentes. E não podemos instruir a respeito de sexualidade porque essa educação acaba sendo vista como incentivo à prática sexual. Mesmo tendo pesquisas que comprovam o inverso.”

Tuy e Biel do Sensualize Moi

Mas mesmo que as coisas caminhem para a tal dita “modernidade” existem algumas pessoas que não aceitam, mesmo dentro do cenário LGBT. Paulo, de 31 anos, namorando a sério a 3 anos, afirma que “jamais aceitaria saber que está sendo traído, que sabe que deve acontecer, mas se ele não souber está tudo certo.” Mas quando questionado sobre a sua própria fidelidade, tive uma risada como resposta.

“Somos homens, não é que a gente sai procurando, mas as vezes acontece.” Afirmou.

O caso de Paulo é um clássico na vida das pessoas. Gustavo, de 42 anos, já pensa diferente: “Sou fiel aos meus sentimentos. Não vou me apaixonar por outra pessoa, isso não. Mas não me privo de sair com quem eu quero e quem eu tenho vontade. Se o cara topar, ainda levo para a casa junto com meu marido. Ele também faz isso.”

Esse tipo de relacionamento, a modalidade aberta, tem se tornado mais presente na vida das pessoas. Um namoro desprendido de ciúmes, que explora o prazer como uma força motriz para dar certo. No caso de Gustavo, o relacionamento dura mais de 10 anos. “Eu acho que é o fato de a gente ter aberto sim. Porque tem muito cara que é hipócrita, vira uma vaca nas saunas, mas pro namorado faz a pose de santo. Mantendo como estamos, a gente não tem desconfiança, não precisa ficar inventando histórias nem nada do tipo.” Afirma, Gustavo, finalizando a nossa conversa.

 

Os Aplicativos

Com a tecnologia, surgiram os aplicativos, como Grinder, Tinder, Happen, Growler, Hornet e tantos outros. Eles facilitaram ainda mais o encontro das pessoas em encontrar novos parceiros, seja para um relacionamento ou para “real”.

Mas esse tipo de coisa, nada mais é que o avanço das salas de bate-papo ou até os clubes de sexo e casas noturnas.

Se prestarem bem a atenção, o comportamento é semelhante em todos os casos: As pessoas que querem encontrar sua cara metade procura em bares, enquanto os que querem apenas diversão, optam por Saunas e clubes de sexo.

Nos casos dos aplicativos, ainda há opções de filtros, no qual os perfis são mais alinhados, direcionando cada qual ao que quer.

Esse mesmo tipo de ideia foi empregada também para relacionamentos a 3, ménage a trois, Um dos mais famosos deles, o 3nder, é focado justamente em encontrar casais que procuram um terceiro participante ou o participante procurando um casal. Tanto faz a escolha, mas nestes casos a predominância é heterossexual.

“Não sei porque. Mas imagino que é por que nós, gays, já usamos outros aplicativos e lá não tem mimimi, se o cara quer o casal chega e fala. Se o casal quer o cara chega e fala. Eu já usei o 3nder, mas o povo lá é meio enrolado.” Responde X, de 30 anos, bissexual, que não quis se identificar.

Seja qual a escolha de cada um, os aplicativos ajudam e direcionam ao que esperam, no conforto de suas poltronas. Neste ponto surgem as pessoas que afirmam, “Ahhh, mas é um catálogo”. E digo, sim é. Mas em uma noitada não é exatamente isso que temos?

No final, acordando sozinho, com uma pessoa ou com mais de uma, o que importa de verdade é estar alinhado com o que quer. Meios para conseguir são fáceis, o que importa é romper o preconceito que temos e buscar a nossa felicidade. E você, o que prefere?

Foto: Julio Salgado, William Blue, Kyle Griffin, 4 anos juntos!