Fotos: Ronaldo Donizeti e Márcio Mattos | Masculicidade

Hoje começamos a publicar uma série de entrevistas com os candidatos ao Mr. Leather Brasil, o concurso promovido pela Eagle São Paulo em parceria com o Mr. International Leather, um dos mais prestigiados do mundo. Você pode ler sobre a origem e a importância dos concursos na nossa coluna anterior, clicando AQUI.

Nosso entrevistado é o Deh Leather, ele tem 36 anos, 1.73m de altura e 70kg, é paulistano e morador do Sumaré, em SP, há 13 anos, moço de conversa fácil e muito simpático ele diz: “Tento manter esse peso, frequentado academia e fazendo exercícios mas nem sempre é possível,  muitas vezes me vejo dedicando tempo demais ao trabalho”. Bonito e modesto, o paulistano dos olhos verdes criado em Goiás nos contou um pouco da sua visão e trajetória no mundo leather misturando descontração e seriedade.

 Primeiramente, o que te motivou a participar do concurso Mr. Leather Brasil?

Está é a segunda vez que participo do concurso. Há duas motivações em concorrer. Uma é mostrar meu orgulho em ter esse fetiche. A outra é ser reconhecido pela comunidade Leather brasileira para ser seu representante, podendo difundir e fortalecer ainda mais essa comunidade. Muitos dos membros não podem se expor devido a críticas ou visões erradas do que se trata o fetiche em couro e a sua comunidade.

 E de que maneiras você acha que o concurso poder ajudar a alterar essas visões erradas acerca do mundo dos fetiches?

A mais perceptível é dar visilbidade à própria comunidade. No concurso participam pessoas que tem orgulho em seus fetiches,  e se mostram pessoas comuns, cidadãos brasileiros que possuem uma vida, respiram, comem, pagam seus impostos, tem seus interesses, seus desejos, seus sentimentos. Outra forma é mostrar que ter fetiche em couro é um totalmente normal, e que se deve explorar esse lado da sexualidade de modo saudável. Ter um representante eleito pela comunidade anualmente auxilia a desmistificar muito sobre a comunidade mas também a expor os valores que a compõe, como o respeito entre  seus membros e agir com honra. Isso vai além de ter um guarda-roupa cheio de roupas de acessórios de couro.

 Na sua visão, quais os desafios ou problemas que a comunidade fetichista encara hoje no meio gay no Brasil? Ainda há muitos tabus?

Há diversos desafios a serem vencidos pela comunidade Leather brasileira e mundial. Em relação a comunidade brasileira, é mostrar que somos uma comunidade aberta a novos adeptos e a curiosos; qualquer um que compartilhe nossos valores pode participar. A pessoa não será submetida a nenhuma humilhação ou ato ofensivo que fere sua integridade. A outra é motivar os membros a participar das decisões da comunidade brasileira, discutindo política, por exemplo. Não devemos ser vistos como uma comunidade somente ligada ao prazer. Nós nos importamos sobre as decisões do congresso em relação aos LGBT’s, aos que acontece com essa parte da população. Somos e temos orgulho em pertencer a comunidade Leather mas também somos brasileiros e queremos um país com menos discriminação, preconceito, racismo, machismo, corrupção.  Um país com melhor sistema de educação, de saúde, de seguranca, etc.

“Lembre-se que somos mais do que vestimos! Atitude e valores, acima das aparências.”

 Falando em vestir, você tem uma peça ou acessório favorito?

Difícil escolher uma peça favorita! Amo todas! Mas tenho um carinho especial com meu harness tipo gladiador, uma das primeiras peças que comprei. Em 2017, o exibi durante o concurso. Poucas semanas depois ele foi roubado… tentei encomendar a peça no site da empresa mas me disseram não fabricar mais o modelo. Imagina a decepção. Mas consegui encontrar uma nova peça do mesmo modelo durante uma viagem a Amsterdam. Fiquei muito contente em ter minha peça xodó de volta.

 Um ladrão fetichista? Como assim?

Não, imagina! Ante fosse, já pensou? Seria até divertido e inusitado. Infelizmente tive meu carro roubado com vários objetos pessoais dentro, inclusive o harness.

 Além dessa situação infeliz, tem algum outro momento memorável ligado ao fetiche ou ao leather que gostaria de compartilhar com a gente?

Tantas situações maravilhosas! A primeira vez em um bar leather, a primeira vez em uma loja especializada em roupas e acessórios de couro, as amizades, a primeira camisa e a primeira jaqueta de couro, entre outras tantas experiências. Mas sempre é interessante o olhar das pessoas quando vê alguém em full leather.  O impacto é sempre expressivo nos olhos e nos movimentos delas. Ainda mais o meu estilo que é baseado em policiais rodoviários. Me recordo das situações engraçadas,  por exemplo, quando gritam “seu polícia, me revista!”.  Aí a gente revista, né?

 E além do couro, você também curte ume pegada BDSM, ou se liga mais no visual mesmo?

Não só no visual! Tem o cheiro, o tato, até o gosto! Em relação ao BDSM, tenho interesse em algumas práticas e e jogos. Posso dizer que estou sempre procurando me conhecer melhor e em busca de novas experiências. Por isso prefiro não me chamar de Dom ou de Sub. Depende da outra pessoa e da vibe do momento.

 Pra gente terminar, qual conselho você daria para quem está começando nesse universo?

Não tenha medo! Se quer conhecer a cena Leather, vá a uma de nossas festas ou encontros. Não é necessário ter roupas de couro, vá do jeito que gosta de se vestir. Chegando no encontro, converse! Não se acanhe, tire suas dúvidas, pergunte e aproveite! E gostando, aos poucos você adquire suas próprias peças. Sabemos que são caras, tenho certeza que conseguirá  ótimas dicas de compras com a comunidade.