O N•A•K•E•D BEARS é série de ensaios fotográficos em nú artistico. Por trás do projeto, está o fotografo romeno Tiberiu Căpudean, de 43 anos, ele diz na entrevista que já fotografou cerca de 200 homens em diversos países. Durante as fotos, pede para os modelos contarem um pouco sobre suas histórias. O resultado você pode conferir nas fotos a seguir ou em seu instagram pessoal @tiberiucapudean

Entrevista cedida gentilmente pelo app W Bear, rede social de para ursos.
Tradução: Fetichento

De onde surgiu a ideia desse projeto?

Eu acredito que a comunidade LGBTQ tem uma grande necessidade de visibilidade. Assim, o N•A•K•E•D surgiu dessa necessidade, e do meu desejo de ajudar aqueles que não são parte de uma minoria sexual a nos entender. Não a nos tolerar, eu nunca gostei dessa abordagem, porque amar ou ser atraído por outro homem não é uma coisa errada.

Eu queria dar um rosto e uma voz para aqueles que os homofóbicos odeiam sem nem conhecer. Eu quero que eles entendam que nós não somos assim tão diferentes, e que a nossa sexualidade não nos define como pessoas. É por isso que eu decidi nos mostrar como nós somos. Sem filtro nem Photoshop.

O estereótipo no mundo heterossexual é o de que os homens gays são ou efeminados ou muito musculosos… e o de que eles são jovens para sempre, definitivamente. Nas minhas fotos, os homens gays parecem ser bem diferentes disso. Eu não acredito nas normas de beleza de hoje em dia.

Outro estereótipo é o de que a maioria dos gays vive vidas glamorosas. Eu queria mostrar que a maioria de nós são pessoas comuns, com empregos comuns… Nós somos só homens que vivem suas vidas com os homens que amamos. É isso. E eu espero ter sucesso em quebrar alguns desses estereótipos.

Eu quero que N•A•K•E•D seja uma jornada emocional para qualquer um que o veja. Espero que eles sintam tristeza e alegria, medo e esperança, vergonha e coragem. Espero que as pessoas deem uma boa olhada nas minhas fotos e leiam as histórias, e possam ver como a homofobia faz a gente se sentir. Porque é sabendo disso, e entendendo a gente, eles podem se tornar nossos aliados.

Quantos homens você fotografou até agora e como você os convenceu a tirar a roupa na frente da câmera? Eles não parecem ser modelos profissionais.

Até agora eu fotografei mais de 200 homens, entre Argélia, Áustria, Bélgica, China, França, Alemanha, Grécia, Holanda, Hungria, Irlanda, Israel, Itália, Japão, Líbano, México, Peru, Porto Rico, Rússia, Espanha, Reino Unido, Estados Unidos e Venezuela.

Mas não sou eu quem os encontra, nem quem os convence a tirar a roupa. São eles que me encontram. Eu só expliquei o conceito do meu projeto em algumas plataformas das mídias sociais – que eu queria usar meus talentos para lutar contra a discriminação – e as pessoas começaram a me escrever. Eu disse pra eles que queria que eles partilhassem alguma história pessoal que tivesse deixado uma marca neles… fosse alguma coisa que aconteceu na adolescência, fosse uma história recente. E disse também que eram bem-vindos homens de todas as idades e etnias, e com todos os tipos físicos.

A nudez pra mim não quer dizer pornografia ou erotismo, por mais que eu entenda que as pessoas percebem as coisas de uma maneira diferente. O fato de os homens das minhas fotografias estarem nus é a coisa menos importante de todas. Eu só queria retratá-los na sua vulnerabilidade.

N•A•K•E•D é o lugar onde os homens que eu fotografei abraçaram sua identidade sexual e saíram da zona de conforto, já que a maioria deles não se encaixa no padrão convencional de beleza masculina. Mas ainda assim, para muitos deles foi mais difícil partilhar a história do que tirar a roupa na frente de um estranho com um uma máquina fotográfica.

Eu fotografei fotógrafos, balconistas, médicos, bailarinos, jogadores de rugby, chefes de cozinha, contadores, químicos, professores universitários, estudantes, prefeitos, atores, comissários de bordo, alfaiates, engenheiros, funcionários públicos, atendentes de telemarketing, cabeleireiros, gerentes de RH, lavadores de louça em restaurantes, advogados e jornalistas…

 

O fato de os homens das minhas fotografias estarem nus é a coisa menos importante de todas. Eu só queria retratá-los na sua vulnerabilidade.

Onde as pessoas podem ver as fotos e ler as histórias que você coletou?

Eu estou planejando algumas exibições neste verão – em Bucareste, em Bruxelas e em Madri. Mas até lá elas podem encontrar tudo isso na minha conta pessoal no Instagram: http://instagram.com/tiberiucapudean

Como foi a reação dos seus fãs no Instagram quando você começou a postar nudes?

Meu grupo de fãs tinha se construído originalmente por conta das minhas viagens. Principalmente paisagens, retratos e uns selfies bobos. Quando eu comecei a postar nus masculinos de repente, junto com as suas histórias, ou casais, eu comecei a perder seguidores. Nos últimos oito meses eu perdi mais de mil seguidores. Mas tudo bem, isso não me incomoda. Eu prefiro ser seguido por um grupo de pessoas com mentalidades e perspectivas similares.

Eu tenho sorte, a maioria das pessoas me disse o quanto elas gostam do meu estilo de fotografia, ou que as histórias que eles leram ajudaram a lidar com situações similares. A pequena comunidade do N•A•K•E•D se tornou um grupo de apoio bastante eficiente.

Por que você decidiu partilhar também as histórias? Por que não só as fotos?

Os homens que eu fotografei não eram modelos profissionais. Então, para deixá-los confortáveis, eu falei um bocado durante os ensaios. Eles relaxavam e também me ajudava a ficar mais à vontade. E as histórias eram tão pessoais que eu percebi que elas complementavam perfeitamente a estética do meu projeto. O que poderia ser mais íntimo do que um corpo vulnerável e uma história pessoal?

Eu conheci homens que foram rejeitados pelos pais ou pela família vinte anos atrás, simplesmente por serem gays… e eles estão vivendo o drama de serem odiados pelas pessoas que eles amam, todos os dias. Eu conheci homens que sofreram bullying ou perderam o emprego por causa da orientação sexual; homens que ainda vivem dentro do armário; homens que foram humilhados pelos seus colegas de escola; homens que foram ameaçados de morte, que levaram socos e facadas; homens que tiveram que migrar porque nos países deles ser gay ainda é algo inaceitável e viver uma vida dupla é cansativo demais e profundamente nocivo.