Uma das milhares das definições de arte é que este fazer  resulta da necessidade de expressão,  reconhecimento e compartilhamento do ser humano em seus anseios, visões e pluralidades. É a materialização destas necessidades.

Desde a pré-história a humanidade faz arte, mesmo que naquela época não estivesse completamente consciente disso.

Como o homem é um ser histórico, o conceito de arte e seu reconhecimento varia conforme variam os momentos históricos.

Vincent van Gogh considerado, quase sem reservas, uma das mentes artisticas mais brilhantes e revolucionárias de todos os tempos, vendeu apenas um quadro enquanto vivo.

Isso demonstra que aos olhos do seus contemporâneos, sua expressão artística não era agradável e as opiniões não lhe eram favoráveis.

Há algum tempos estive na exposição “Historias da Sexualidade” no Masp. Entre as obras ali apresentadas estão criações de Manet – que morreu em 1883 e Francis Bacon – que morreu em 1926. Suas obras, controversas em seu tempo, já pesquisavam a sexualidade humana. Mas o inusitado é que, além de uma classificação etária de 18 anos, a exposição não permite que se tirem fotos e quase se esconde, com dezenas de funcionários dando instruções ao público de como se comportar. Acabamos com um certo receio de estarmos ali.

Isso é , sem dúvida, um reflexo das pressões conservadoras sofridas recentemente pelo meio artistico. E é exatamente aí onde mora o perigo. Intimidar ou impedir a expressão artística é moderar o livre pensamento e consequentemente as discussões e direitos democráticos.

Gostar ou não gostar é um direito de todos. Proibir ou censurar é a arbitrariedade de quem vê no pensamento livre uma ameaça e isso pode ter desdobramentos bastante graves.

 

Imagem: série “Criança Viada” por Bia Leite.